Segundo dia | Grace Passô e Ana Maria Gonçalves
A dramaturga e atriz mineira Grace Passô disse que usa o teatro como extensão da comunidade e, dessa forma, debate o racismo e seus vários temas transversais. Falou, principalmente, da sua forma pessoal de escrever:
"Minhas temáticas surgem a partir do exercício da escrita. Eu não penso um assunto e passo a escrever a respeito. Vou criando, compondo e assim falo de múltiplos temas nas minhas peças.", declarou Grace.
Já a autora Ana Maria Gonçalves usou como metáfora a tática de restauradores japoneses que, quando recompõem peças, não escondem as marcas das fraturas. "Ressaltar as fissuras sociais é o papel do artista contemporâneo. Precisamos nos ver como parte dos problemas. Nos expandir para ver o macro e assim conseguir resolver as coisas micros", disse.
Na plateia, a presença da vice-Prefeita de Salvador, Célia Sacramento que, sabendo do evento, fez questão de prestigiar as dramaturgas mineiras na capital baiana. Assim que a sessão de perguntas foi aberta, ela elogiou o premiado livro "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves e em seguida voltou-se para Aldri Anunciação, que mediava o debate: "Eu vi Namíbia,não! cinco vezes. Seu texto é sensacional! Sempre que sei que o espetáculo está em cartaz na cidade, eu vejo de novo e ainda levo familiares e amigas. Não me canso de assistir", falou para Aldri, que mediava a mesa.