quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Primeiro dia | Luiz Antônio Pilar

Abertura do evento nesta quinta-feira deu-se em grande estilo. O diretor, produtor e roteirista Luiz Pilar nos brindou com excelente palestra. Durante o bate-papo, contou sobre suas experiências no cinema e TV, pontuou observações importantes acerca das mudanças de perspectivas do retrato do negro (e papéis dos atores negros) na filmografia brasileira. 


Dentre as histórias relembradas, remontou a declaração dada pelo cineasta Spike Lee, quando este veio ao Brasil filmar, no Pelourinho, com Michael Jackson, um videoclipe com o grupo Olodum: "Discutimos hoje, nos Estados Unidos, a quem interessa retratar o negro na condição de delinquente, de violento ou do morador restrito ao gueto", questionou. 
Pilar contou ainda sobre sua vasta experiência enquanto produtor e depois diretor na TV Globo, da minissérie Malhação às novelas da emissora, a gerência sobre os trabalhos de outros importantes atores negros, como Zezé Mota. 


Chamou a atenção para o papel do ator negro na teledramaturgia brasileira, citou a polêmica minissérie "Sexo e as Nega", do Miguel Falabella, que gerou diversas reações na plateia. Além de relembrar personagens negras retratadas como voluptuosas, a exemplo de Xica da Silva, falou sobre os novos movimentos do cinema, que já começa a se despedir da estética de retratar as favelas e passa a produzir biografias musicais.



"Quando falamos em música brasileira, por exemplo, é impossível não se dobrar à contribuição de negros importantíssimos para a nossa cultura, como Clementina de Jesus, Assis Valente, Candeia, Cartola, Wilson Simonal, Elza Soares e até Claudinho e Bochecha, cinebiografia que pretendo fazer pela minha produtora de cinema. Mas vejo aí um problema: em sua maioria, são novamente personagens/temas negros sendo retratados por equipes de produtores e diretores brancos, logo, o risco de termos trabalhos esteriotipados é muito alto", alertou.