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| Profª Drª Tania Brandão/Foto: Alekssandra Pinheiro |
A historiadora e crítica teatral Profª Drª Tânia Brandão (UNIRIO) apresentou uma perspectiva historiográfica do teatro negro e do negro no teatro na história do teatro brasileiro. A partir de arquivos históricos da Biblioteca Nacional, trouxe passagens de textos críticos do início do século XX que mostram a presença de negros no teatro. Ressaltou, também, como num primeiro momento, quando o teatro era uma prática menor na sociedade, os negros ocupavam os palcos e não havia interesse dos brancos em desempenhar a atividade. Quando a situação se inverte e o palco passa a ser um espaço de prestígio os negros são relegados da cena embora talentosos conforme relatos da época. Brandão enfatizou, ainda, como o TEN - Teatro Experimental do Negro ao desejar estar na cena "branca" representada pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro, perde-se em seus objetivos e acaba se submetendo a figuração nos espetáculos do referido teatro. Finalmente, em um debate com Aldri Anunciação que mediou o encontro, ficou claro que o "De Chocolat", líder da companhia carioca homônima de revista da década de 1920, escrevia e assinava os textos, no caso as escaletas apresentadas. Nesse sentido, evidencia-se a assinatura de negros na dramaturgia já em 1920. A grande revelação foi a informação trazida por Brandão de que a SBAT teria impedido "De Chocolat" de representar o Brasil em um festival em Buenos Aires e de não ter registrado e reconhecido sua assinatura e autoria.
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| Profª Drª Tania Brandão e Prof. Dr. Henry Thorau |
O Prof. Dr. Henry Thorau, da Universidade de Trier na Alemanha, é um crítico e teórico, presidente da associação alemã de lusitanistas. É tradutor da obra de Nelso Rodrigues, Plinio Marcos e Augusto Boal para o alemão. É um profundo conhecedor do teatro brasileiro e nos honrou com uma visão estrangeira do teatro negro no Brasil focando-se, principalmente, no viés político do teatro. Nesse sentido, trouxe-se um reflexão que chega a peça Namíbia, Não! de Aldri Anunciação como um texto de autor negro que lança um novo paradigma na dramaturgia política brasileira contemporânea.


