quinta-feira, 9 de abril de 2015

Terceira edição da Mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada ocupará o Teatro Dulcina no Rio de Janeiro

A terceira edição da mostra itinerante de dramaturgia negra brasileira, Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada, já tem endereço e período para acontecer. O projeto foi contemplado pelo Edital de Ocupação do Teatro Dulcina Funarte Rio de Janeiro e vai acontecer ao longo de quatro meses no segundo semestre de 2015. 

Fique atento aos nossos canais de comunicação para ficar melhor informado. Estamos preparando uma programação muito legal de espetáculo e ações formativas como o Encontro com o Dramaturgo, novidade dessa edição.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quarto dia | Joelzito Araújo e Márcio Meirelles

Da esquerda para a direita Prof Dr. Joelzito Araújo,
Márcio Meirelles e Aldri Anunciação
No último dia da Mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada, o Prof. Dr. Joelzito Araújo, autor do livro "A Negação do Brasil" que consiste numa importante obra sobre a presença do negro na Televisão Brasileira. Em sua fala, destacou alguns avanços na ocupação dos espaços televisivos, cinematográficos e teatrais por negros e mais uma vez ficou clara a importância da assinatura e autoria do negro em todos os veículos de comunicação e arte. Nesse sentido, Joelzito arrematou um tema que permeou os quatro dias do evento e trata-se da necessidade de publicar textos teatrais e literários em livro e de ocupar as funções de escritor, roteirista, dramaturgo e diretor, ou seja, os lugares de poder. Para falar disso, trouxe o exemplo do polêmico seriado de TV "O Sexo e as Negas" veiculado pela Rede Globo de Televisão e escrito por Miguel Falabella. Para Araújo, é um exemplo de como a presença de um negro na equipe de autores poderia ter evitado alguns equívocos. 
O diretor Márcio Meirelles, diretor do Bando de Teatro Olodum, relatou sua experiência na direção do referido grupo enfatizando a criação coletiva/colaborativa como uma metodologia de criação adotada. Enfatizou como mesmo na criação colaborativa existe uma assinatura que é daquele que arremata as improvisações e estrutura o texto propriamente dito.

Destaque para a presença de um grupo enorme de jovens que compareceram na tarde de domingo do dia 02/Nov.

Terceiro dia | Tânia Brandão e Henry Thorau

Profª Drª Tania Brandão/Foto: Alekssandra Pinheiro
A historiadora e crítica teatral Profª Drª Tânia Brandão (UNIRIO) apresentou uma perspectiva historiográfica do teatro negro e do negro no teatro na história do teatro brasileiro. A partir de arquivos históricos da Biblioteca Nacional, trouxe passagens de textos críticos do início do século XX que mostram a presença de negros no teatro. Ressaltou, também, como num primeiro momento, quando o teatro era uma prática menor na sociedade, os negros ocupavam os palcos e não havia interesse dos brancos em desempenhar a atividade. Quando a situação se inverte e o palco passa a ser um espaço de prestígio os negros são relegados da cena embora talentosos conforme relatos da época.  Brandão enfatizou, ainda, como o TEN - Teatro Experimental do Negro ao desejar estar na cena "branca" representada pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro, perde-se em seus objetivos e acaba se submetendo a figuração nos espetáculos do referido teatro. Finalmente, em um debate com Aldri Anunciação que mediou o encontro, ficou claro que o "De Chocolat", líder da companhia carioca homônima de revista da década de 1920, escrevia e assinava os textos, no caso as escaletas apresentadas. Nesse sentido, evidencia-se a assinatura de negros na dramaturgia já em 1920. A grande revelação foi a informação trazida por Brandão de que a SBAT teria impedido "De Chocolat" de representar o Brasil em um festival em Buenos Aires e de não ter registrado e reconhecido sua assinatura e autoria.

Profª Drª Tania Brandão e Prof. Dr. Henry Thorau
O Prof. Dr. Henry Thorau, da Universidade de Trier na Alemanha, é um crítico e teórico, presidente da associação alemã de lusitanistas. É tradutor da obra de Nelso Rodrigues, Plinio Marcos e Augusto Boal para o alemão. É um profundo conhecedor do teatro brasileiro e nos honrou com uma visão estrangeira do teatro negro no Brasil focando-se, principalmente, no viés político do teatro. Nesse sentido, trouxe-se um reflexão que chega a peça Namíbia, Não! de Aldri Anunciação como um texto de autor negro que lança um novo paradigma na dramaturgia política brasileira contemporânea.